
Colocou a última mala no porta bagagens e fechou-o com naturalidade.
A tarde estava cálida; alguns vizinhos tagarelavam na entrada do
prédio, outros passeavam os seus cães, para cá e para lá; havia ainda os
que vigiavam os filhos, que brincavam no pequeno parque infantil.Todos
aproveitavam a ilusória paz de sexta-feira à tarde. As sextas-feiras
têm a magia de envolver a alma dos seres humanos, numa espécie de
liberdade condicional; isso deixa-os mais leves, mais comunicativos,
mais exuberantes e solidários. Algumas pessoas olhavam para ela
vagamente, sem realmente a ver, outras sorriam e murmuraram um simpático
bom fim de semana ou boa viagem, ao que ela respondia
com delicadeza e simpatia. Sem pressa, mas decidida, trancou o carro e
voltou a entrar no prédio. Não esperou pelo elevador e subiu as escadas
até ao 2º andar. Abriu a porta do seu apartamento e, com desenvoltura,
verificou todas as dependências, arrumando, aqui e ali, algum objeto em
desalinho. Fechou os estores quase completamente e abriu uma tira da
janela, em cada dependência, para que o apartamento se mantivesse fresco
e arejado. Depois colocou alguns objetos num saco de mão, trancou a
porta e saiu. Voltou a usar as escadas até à entrada, descendo com
agilidade.